6 de janeiro de 2026

|

Categories: Saúde

|

Saúde mental corporativa deve ser prioridade nas empresas

A saúde mental corporativa passou a ser uma responsabilidade estratégica e social. No Brasil, o tema ganhou urgência. Em 2024, foram registradas 472.328 licenças médicas por transtornos mentais (como ansiedade e depressão), segundo o Ministério da Previdência Social. Esses números ajudam a explicar por que empresas, RH e Saúde Ocupacional têm buscado caminhos mais consistentes para prevenir adoecimento, reduzir afastamentos e sustentar desempenho sem normalizar sobrecarga.

licenças por saúde mental no brasil em 2024 - Oliv-e

Mas investir em bem-estar, por si só, não garante resultado. Um artigo da Harvard Business Review aponta um descompasso comum: as empresas aumentam o orçamento, mas os indicadores não melhoram no mesmo ritmo quando as ações ficam focadas apenas no indivíduo e não atacam as causas organizacionais do estresse (como carga de trabalho, prazos e gestão).

investir em bem-estar não garante resultado por si só - Oliv-e

No cenário brasileiro, há um componente adicional. O tema entrou de vez no radar regulatório com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que reforça a necessidade de tratar fatores psicossociais como parte do gerenciamento de perigos e exposições no trabalho.

Atualização na NR-1 mudou a dinâmica da saúde mental corporativa

A NR-1 estabelece diretrizes gerais de Segurança e Saúde no Trabalho e define responsabilidades de empregadores e trabalhadores. Com a atualização do capítulo de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, a norma passou a incluir expressamente os fatores psicossociais relacionados ao trabalho dentro do GRO, ao lado de agentes físicos, químicos e biológicos, além de condições de acidentes e aspectos ergonômicos.

O ponto mais importante aqui é o prazo. O Ministério do Trabalho e Emprego informou que a inclusão dos fatores psicossociais no GRO ocorre em caráter educativo a partir de maio de 2025, e a autuação pela Inspeção do Trabalho passa a valer em 26/05/2026. Isso dá uma janela para estruturação séria do processo, com inventário de perigos, plano de ação e evidências documentais.

Na prática, a NR-1 conduz as empresas para uma lógica mais concreta que é mapear e controlar fatores como metas inexequíveis, excesso de trabalho, assédio moral, baixa autonomia, falhas de comunicação e ausência de apoio da liderança, entre outros. O próprio MTE recomenda alinhamento com a NR-17 (Ergonomia), incluindo Avaliação Ergonômica Preliminar e, quando necessário, Análise Ergonômica do Trabalho.

(Leia também: NR-1 atualizada dá maior destaque à questão da saúde mental)

Saúde mental corporativa: tecnologia pode ser aliada quando entra como sistema, não como “paliativo”

A atualização da NR-1 acelerou a busca por soluções que ajudem a organizar rotina, dados e encaminhamentos. Uma delas é o ambulatório digital da Oliv-e, healthtech que atua com triagem e gestão de informações em saúde, com possibilidade de integração à plataforma de Telemedicina do próprio cliente, para que o colaborador realize a teleconsulta no equipamento (Totem ou Teleconsultório). Entenda o ambulatório digital para empresas.

No fluxo descrito pela Oliv-e, o colaborador pode iniciar uma avaliação no totem, com questionário de riscos de saúde e aferição automatizada de sinais vitais. Mas é essencial separar os papéis: os sinais vitais não fazem análise de saúde mental; a leitura de risco, quando aplicável ao tema, vem do questionário (e de critérios clínicos definidos pela equipe).

Aqui, vale um cuidado técnico: as respostas ao questionário não geram diagnóstico, e os sinais vitais não avaliam a saúde mental. Ainda assim, ambos apoiam a triagem e o direcionamento para avaliação profissional.

Ao contratar o módulo opcional de Análise de Sintomas, ele só contribui para a pauta de saúde mental quando o usuário descreve sintomas diretamente relacionados a esse contexto. Além disso, a Oliv-e não apresenta ao usuário hipóteses ou probabilidades de diagnóstico: o resultado dessa análise fica disponível apenas para a equipe médica cadastrada e autorizada a acessá-lo.

Quando bem implementada, essa lógica tende a ajudar em quatro frentes:

1- Triagem e rastreio estruturados, com perguntas padronizadas e registro consistente;

2- Encaminhamento rápido para teleconsulta via Telemedicina do cliente, quando houver integração habilitada, reduzindo tempo de resposta;

3- Visibilidade para gestão, com dados agregados que permitem priorizar ações (sem expor o indivíduo);

4- Apoio à documentação e ao plano de ação, quando integrado à rotina de Saúde Ocupacional.

Como o tema envolve dados sensíveis, a governança precisa vir junto: critérios claros de finalidade, acesso, retenção, consentimento quando aplicável e segurança da informação, em linha com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

totem-triagem-teleatendimento - oliv-e

Por fim, além de norma, o debate também aparece no Legislativo. Tramita na Câmara o Projeto de Lei (PL 4479/24), que propõe a obrigatoriedade de práticas de promoção de saúde mental e prevenção de transtornos psicológicos no ambiente de trabalho para empresas com mais de 50 funcionários, entre outras diretrizes. Como é um projeto em tramitação, não gera obrigação imediata, mas indica tendência regulatória.

Cuidar da saúde mental corporativa é uma ação indispensável

Seja por responsabilidade social, produtividade ou conformidade, saúde mental corporativa deixou de ser um tema paralelo. A empresa que leva a questão a sério combina três camadas: ambiente e gestão (causas), processo e documentação (sistema) e cuidado acessível (porta de entrada). NR-1, tecnologia e boas práticas só funcionam quando convergem para mudar o jeito de trabalhar, não apenas para oferecer recursos isolados.

Para conhecer mais soluções da Oliv-e, clique aqui.